A translucência nucal ( TN ) é uma prega na nuca do feto, decorrente de
um acúmulo de líquido sub-cutâneo na região cervical, que deve ser medida entre 11 e 13 semanas + 6
dias para o rastreamento de síndromes fetais ( cromossomopatias ), dentre elas a trissomia do par 21
( síndrome de Down ), a trissomia do 13 ( síndrome de Patau ) e do 18 ( síndrome de Edwards ),
síndrome de Turner, além de inúmeras outras .
A translucência nucal ( TN ) é um acúmulo de
líquido na região cervical posterior (nuca do feto ) que é fisiológica na fase entre 11 e 13
semanas + 6 dias e para ser considerada normal deve medir no máximo 2,5 mm de espessura. Este
acúmulo de líquido é decorrente de uma insuficiência cardíaca fisiológica que os pequenos fetos
apresentam nesta fase, pois eles crescem muito rápido e o número de sarcômeros das fibras do
miocárdio ( músculo do coração) são insuficientes transitoriamente para suprir esta necessidade.
Após este período esta insuficiência cardíaca fisiológica desaparece pois o coração fetal torna-se
suficiente este flúído desaparece na nucal fetal. Em alguns casos quando esta prega tem uma
espessura superior a 2,5 mm, pode significar uma insuficiência cardíaca mais acentuada. Como na
grande maioria das síndromes fetais os fetos apresentam insuficiência ou anormalidades cardíacas, os
pequenos fetos que tem a translucência anormalmente aumentada apresentam uma probabilidade maior de
terem uma síndrome, como a síndrome de Down ou cromossopatia, ou simplesmente uma insuficiência
cardíaca.
Aproximadamente 75% dos fetos portadores da síndrome de Down ( trissomia do 21 )
possuem a translucência nucal aumentada. Portanto a translucência nucal de espessura normal ( abaixo
de 2,5 mm de espessura não exclui a possibilidade de síndromes fetais.
Assim também como a
translucência aumentada não fecha o diagnóstico, aumenta o risco do feto vir a ter uma síndrome
fetal. Portanto a translucência nucal é um marcador que faz parte do rastreamento de síndromes
fetais no primeiro trimestre da gestação.
MEDIDA DA
TRANSLUCÊNCIA NUCAL:1 - A medida mínima do Comprimento-Cabeça-Nádegas (CCN)deve ser
de 45mm e no máximo de 84mm. A idade gestacional ideal para avaliação da TN é de 11 até 13 semanas e
6 dias. A taxa de sucesso na obtenção da medida da TN neste período é de 98-100%, com queda para 90%
à partir da 14a semanas. (Medida do CCN entre 45 - 84mm; idade gestacional entre 11-14
semanas)
2 - Os resultados utilizando a via transabdominal e via transvaginal são
semelhantes, porém a via transvaginal a reprodutibilidade é maior.
3 - Deve ser obtida um bom
corte sagital, para a medida do CCN.
4 - O feto deve ocupar 3/4 da tela (Figura 1). Este
processo de magnficação deve ocorrer de forma que cada aumento na distância dos calipers deverá ser
de somente 0,1mm.
5 - Deve-se ter cuidado ao se distinguir entre a pele fetal e o amnio,
porque nesta fase da gestação ambas as estruturas aparecem como finas membranas. Isto pode ser
obtido esperando um movimento fetal espontâneo para longe da membrana amniótica, pode-se solicitar
para a mãe tossir ou mexer no baixo ventre para provocar um movimento fetal.
6 - A espessura
máxima da translucência sub-cutânea entre a pele e a pele que recobre a região cervical fetal deve
ser colocado os calipers como na figura 2. Durante o exame, mais de uma medida deve ser realizada,
sendo que a maior medida deve servir como referência.
7 - A Translucência Nucal deve ser
medida com o feto em posição neutra. Quando o feto está hiperextendido a medida da TN pode estar
aumentada em 0,6mm e quando o feto está fletido, a medida pode estar diminuida em 0,4mm. (Whitlow et
al, 1998)
8 - O cordão umbiliacal pode estar na região cervical fetal em aproximadamente
5-10% dos casos, podendo produzir uma falsa impressão de aumento da espessura da TN, adicionando
0,8mm à medida da TN (Schaefer et al, 1998). Nestes casos, as medidas da TN acima ou abaixo do
cordão são diferentes, portanto alterando o cálculo do risco, sendo mais apropriado usar a menor
medida.
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Figura 01
Feto com coleção líquida subcutânea na
região da nuca. Cortesia Dra Eva Pajktr, University of Amsterdan | Figura 02
Feto com 12 semanas de gestação cariótipo anormal - trissomia 21, demonstrando
aumento da medida da translucência nucal |